Infectologista responde dúvidas sobre Biossegurança

Como se trata de uma doença recente, a Covid-19 gera muitas dúvidas. O profissional de Odontologia é um dos mais suscetíveis, já que o contato com a boca de um paciente contaminado pode transmitir o vírus. Neste contexto, a ABO-PR promoveu, no dia 22 de abril, a live “Orientações de Biossegurança aos Cirurgiões-Dentistas em tempos de Covid-19”. O vídeo está disponível no site e nas redes sociais da entidade. A transmissão foi conduzida pelo presidente da ABO-PR, Dr. Dalton Luiz Bittencourt, e o diretor-social, Dr.Celso Russo, e teve como convidado o médico infectologista e intensivista do HC Dr. Marcelo Ducroquet.

Confira os principais pontos levantados durante a live:

Como devem proceder os Cirurgiões-Dentistas que fazem parte do grupo de risco?

A percepção de risco é algo individual, mas Cirurgiões-Dentistas que fazem parte do grupo de risco (gestantes, maiores de 60 anos e profissionais com alguma comorbidade) devem ficar afastados do consultório neste momento. O profissional deve ter o direito de se afastar. Mas como profissional liberal também há o direito de trabalhar. Essa escolha é pessoal e exige bom senso. Se expor a partir de agora sempre será um risco e devemos tomar uma série de cuidados para minimizar isso.

Qual a expectativa sobre a retomada no atendimento em clínicas-escolas?

O debate é enorme em torno de qual o momento de voltar às aulas. Deve-se atrasar o retorno do contato com o paciente, por ser uma atividade não-essencial. Isso, especialmente para quem não é formado. Ele não é ainda um profissional de saúde e não deve ser exposto ao risco. É muito difícil gerir o isolamento na escola. O que der para fazer à distância será a solução por algum tempo ainda. E antes de voltarem os alunos devem voltar as atividades normais do Cirurgião-Dentista.

Quais são as formas de transmissão do Coronavírus para os profissionais de Odontologia?

O que diferencia o Coronavírus de outros vírus como HIV e hepatite C é a facilidade de transmissão. Além da transmissão por gotícula, que viaja até dois metros quando a pessoa tosse ou fala, e pelo contato com superfícies que estão contaminadas, uma terceira pode acontecer durante o tratamento odontológico. O uso de fluxos de ar em alta velocidade para secagem ou aspiração pode gerar partículas muito finas de saliva que podem permanecer no ar por até 3 horas e não são filtradas pela máscara cirúrgica.

Como aumentar a Biossegurança nos consultórios para evitar a contaminação com o Coronavírus?

É recomendável fazer a triagem prévia por telefone para saber se há pessoas na casa do paciente com sintomas respiratórios ou que apresentem tosse e febre. No consultório, disponibilizar álcool em gel 70%, criar um espaçamento para que os pacientes se sentem separados, reforçar a necessidade do uso de máscara e oferecer o acessório para quem não tem. Se não houver espaço físico, separar os pacientes por horário de atendimento; reforçar para que ele vá sozinho e que chegue no horário marcado para que não encontre outro paciente. Também é recomendado agrupar os pacientes conforme grupo de risco – escolher dias da semana em que apenas os idosos, por exemplo, sejam atendidos de forma bem espaçada. Uma medida adicional é fazer a medição da temperatura do paciente com termômetro infravermelho.

Qual o produto recomendado para desinfecção do consultório?

O Coronavírus é muito sensível a agentes químicos. Água e sabão são altamente eficazes na falta de outro produto. O Surfic, usado em ambiente hospitalar, é um desinfetante biodegradável, pouco tóxico, fácil de manejar, não danifica os materiais e não tem odor forte. Encontra-se em lojas de materiais médicos. Outras alternativas eficazes são o álcool 70%, o hipoclorito a 1% – um pouco mais irritante, deixa odor de cloro – e o ácido peracético que também tem um pouco de odor.

Como deve ser a paramentação do Cirurgião-Dentista em tempos de pandemia?

A dificuldade é identificar o paciente que tem Covid-19, já que muitos são assintomáticos. A Anvisa recomenda um pacote de medidas de proteção para o profissional que vai atender ao paciente em urgência ou emergência odontológica que tenha Coronavírus, ou suspeita de estar contaminado: evitar o aerossol, usar máscara n95, avental descartável e higienização de materiais e superfícies a cada atendimento. Se o paciente não tem suspeita, a recomendação é usar óculos de proteção, máscara cirúrgica, gorro, luvas e avental, ou seja, seguir a precaução padrão. É importante entender que o uso de EPI’s protege, mas o atendimento de pessoas com Covid-19 contamina o ambiente e põe em risco todos os outros pacientes. Após atender um paciente com Covid-19 é necessário desinfetar todo o ambiente para que o próximo paciente não seja exposto. Além de permitir um intervalo mínimo de duas horas para ventilar o ambiente.

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